Médica otorrinolaringologista explica sobre a Imunoterapia Alérgeno Específica e outras medidas de prevenção

Com o início da primavera, em 22 de setembro, começa também a temporada de rinites, bronquites e asmas devido ao aumento da quantidade de pólen no ar. Embora não tenham cura, um tratamento pode ajudar quem sofre de crises alérgicas constantes: a Imunoterapia Alérgeno Específica, que induz o organismo a não reagir aos tipos de pólens que o paciente tem alergia.

A terapia pode ser indicada em diversos casos, mas a melhor resposta é para rinite, explica a Dra. Mariele Bolzan Lovato, médica otorrinolaringologista do Hospital São Vicente Curitiba. “Existe também um uso da imunoterapia para asma alérgica na infância, que pode ter uma resposta satisfatória, mas os melhores resultados são realmente para a rinite”, afirma.

O tratamento com imunoterapia, feito por meio de medicações manipuladas, tem duração de três a cinco anos, com resultados que podem durar de cinco a quinze anos. “Se você tem crises intensas passará a ter crises mais leves ou até passar a não tê-las”, explica a médica otorrinolaringologista.

Pessoas que não tenham resultados satisfatórios com antialérgicos e outros medicamentos ou precisem utilizá-los constantemente têm indicação para realizar a imunoterapia. “É necessário também que o paciente tenha a alergia respiratória documentada pelo IgE, imunoglobina de defesa que temos detectada por um exame de sangue que mede a sensibilização a alérgenos específicos”, observa Dra. Mariele Bolzan Lovato, lembrando que antes do início da primavera também podem ser feitos outros tratamentos preventivos.

Dicas de prevenção

Para tentar evitar as alergias respiratórias durante a primavera, a otorrinolaringologista orienta sobre algumas medidas que podem ser adotadas. “Evite abrir a casa entre 6h e 10h e 17h30 e 19h30, horário em que a polinização no ar ocorre com maior intensidade. Nesses horários é recomendado também reduzir a exposição ao ar livre”, recomenda.

É importante manter a casa limpa, mas procurando usar panos úmidos ou aspiradores com filtro HEPA ao invés de vassoura, além de colocar um cobre leito ou outra proteção na cama durante o dia, para diminuir a quantidade de alérgenos em travesseiros e lençóis.

Alergias X Covid

Em época de pandemia, Dra. Mariele Bolzan Lovato ainda lembra que os sintomas das alergias respiratórias podem ser confundidos aos de uma Covid-19, pois nem todos os casos têm febre, falta de ar e dor de cabeça, conforme a variante do vírus.

“Às vezes, clinicamente fica difícil de diferenciar e é necessário realizar teste, especialmente se a pessoa teve contato com outras com sintomas ou não costuma ter crises de alergia na primavera”, destaca e alerta que as alergias respiratórias não devem ser negligenciadas, pois podem ter complicações, com necessidade de medicamentos mais fortes e cirurgias, como no caso da rinite, ou até internamentos para quem tem asma.